quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Hoje

E hoje, tudo o que vejo, tudo o que ouço, me faz lembrar você.
Não queria que fosse assim, mas é inevitável.
E em tão pouco tempo já é dono de uma parte tão grande em mim...

Hoje, tudo o que quero é estar com você.
Olhar nos seus olhos, beijar mais uma vez a sua boca e dizer mais uma vez o quanto gosto de o ter ao meu lado.

Hoje, mas só hoje, vou me preocupar com os seus passos.
Vou te beijar como se fosse o último dia.
Vou te abraçar tão forte ao ponto de sentir o teu coração batendo no meu peito.

Hoje, somente hoje, vou prestar atenção em tudo o que disser.
Vou deixá-lo falar o quanto quiser.
Vou apoiá-lo e aconselhá-lo quando permitir.

Hoje, vou esquecer meus anseios e me submeter às suas vontades.
Vou deixá-lo saborear meu corpo assim como saborearei o seu.
Vou deixar-me levar pelo desejo. Mas só hoje.

Seu ontem é inútil para mim, sei que não estarei no seu amanha tão pouco.
Portanto, domino o seu hoje. Porque ele é todo meu.

E quando vier o amanhã, talvez sinta a minha falta, talvez queira me ver novamente.
Mas não posso fiar-me no seu "talvez", posso apenas crer no seu hoje.
E espero que ele seja tão memorável para você quanto é para mim.
Pois só no fim deste dia, posso sonhar com o amanhã incerto, que hoje parece tão distante que não vale a pena sonhar.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

E se esvaiu

E a dor que tanto sentia
Se esvaiu
E o medo que tanto sofria
Se esvaiu

Ao te olhar
Não deixo de pensar
Como pude te amar
E me deixar depreciar

Dei tempo ao tempo
Tive esperança
Se esvaiu meu sofrimento
Deu lugar à esperança

Hoje já não pertenço a ninguém
Não amo mais ninguém
Mas continuo a procurar alguém

Não desisto fácil
Não sou tão frágil
Vou encontrar
Vou me permitir amar

Novamente...

domingo, 9 de agosto de 2009

Nem tão opostos assim

E começa tudo de novo...
Mas não tão igual assim.

O nome repetido dezenas de vezes na caixa de entrada do celular não é mais o mesmo.
Mas as conversas são extremamente iguais.

Os abraços, beijos e toques são mais apaixonados, mais delicados.
Mas continua sendo uma relação escondida.

A cor dos olhos mudou. Os verdes deram lugar aos castanhos.
Mas o olhar de desejo quando me possui é o mesmo.

Os passeios são diferentes, mais românticos.
Mas as intenções são definitivamente iguais...

Ele diz que me adora e mente para poder me ver.
Antes, o outro mentia que me amava para poder me ver.

Tudo que ele quer é me abraçar e me beijar ao me ver.
Exatamente como o outro fazia.

Tão iguais e tão diferentes,
Nunca opostos tão semelhantes.

O que os une sou eu.
O que os distingue sou eu.

E nesses opostos tão semelhantes me encontro.
Tão confusa e tão decidida.

E temo que essa história tão oposta tenha um fim tão semelhante e triste como a história anterior.
E rezo que essa hístória tão semelhante não seja oposta nos momentos tão bons que tive na história anterior.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

E não saberei responder por quê

E aquele mal volta a afligir o meu peito
Perco os sentidos, perco-me da realidade
Me tranco no meu mundo dos sonhos

A lágrima silenciosa cai do meu rosto
Sem que ao menos possa sentí-la

A aflição atinge meu corpo
Tão forte que que ficar em pé se torna impossível

Pesadelos já não assustam mais
Meu medo é a realidade

Aquela estranha sensação continua a me perseguir
Tento fugir, me livrar
Mas já não tenho forças pra lutar

Deixo os poucos
A névoa fina, escura e fria
Ir me afastando de tudo o que quero

Essa névoa não é boa
Me leva pra onde não quero mais voltar
Um lugar onde já sofri demais

Me leva ao destruidor dos meus pesadelos
Causador da minha realidade
Meu insone karma

Tenho medo
Mas não consigo evitar

E a névoa fecha meus olhos
Já não vejo com clareza
O que através dela se passa
Não sei mais se realmente
Existe algo além

Mundo estranho este que vivo?
Ou mundo estranho no qual vivem os outros?
Questão essa jamais saberei responder...

Soneto de Despedida (releitura de do Soneto de Véspera de Vinícius de Moraes)

Agradeço por todos os beijos

Carinhos e gracejos

Que tão de bom grado

A mim foram dados


Me desculpe por ser tão inconstante

E as vezes tão irritante

Ao ponto de partir

Sem ao menos me despedir


Eu te amo

Não posso negar

Mas preciso me libertar

Estou me enfraquecendo tanto...


Nunca esquecerei

Do homem que amei

E me mostrou coisas

as quais jamais sonhei


Se um dia quiser se lembrar de mim

Pense mais ou menos assim

como lembrança boa de se ter


Agora tenho que ir embora

já está na hora

também quero viver!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A brisa e o sol

Deixo a brisa acariciar meu rosto.
Deixo o sol, bem de leve, beijar meu corpo.
Enquanto me transporto para longe daqui.

Quero ir para longe, para um lugar onde ninguém saiba o que vivi.

Quero um mundo que seja só meu. Bem distante do seu, onde tantas mágoas sofri.

E quando um dia, talvez, se lembrar de mim, vai perceber como foi bom o que vivemos juntos e que não estou mais alí.

A brisa acaricia a minha face. A mesma face que tantas vezes você destratou e - desconfio que - nunca realmente amou.
O sol beija o meu corpo, que um dia foi seu. Mas você nunca o mereceu.

A minha vontade de ser sua feneceu.
A carícia da brisa e o beijo do sol são só o que me resta.
Como no fim de uma festa, você foi embora.
E foi isso o que me restou.





O final feliz

E assim do nada ele aparece em minha vida.
Ele, carente.
Eu, desiludida.
O par perfeito.

Mesmo sendo um fato recente para mim, sei que será inesquecível.
Ele é inesquecível. Um príncipe encantado.

Mas meninas malvadas não têm finais felizes. Elas caem do cavalo.
Príncipes encantados têm crise de existência, não se contentam só com a princesa.

As princesas sofrem com isso, mas as meninas malvadas adoram.
Será que essa história pode ter um final diferente?

O príncipe concordará em deixar de ser encantado só para dar um final feliz para a pobre menina má?
Duvido...

Mas enquanto o príncipe não decide o que faz, a princesa continua a ser enganada e a menina malvada a se divertir.

Para quem essa história terá um final feliz?




segunda-feira, 29 de junho de 2009

Temo

Temo te ver
Temo te encontrar
Temo te beijar
Mas temo mais ainda te amar

Temo não ver em teus olhos
A doçura que vê nos meus
Temo que não sinta o que sinto quando nos abraçamos
Temo me perder em teus beijos e jamais voltar
Mas temo acima de tudo tu me rejeitar

Por isso ponho a minha armadura
Escondo meu rosto
Escondo-me em mentiras
Delato-me no olhar

Desejo estar contigo a todo o instante
Mas temo
Temo que descubra quem sou
Temo principalmente não saber quem és

Temo te magoar
Simplesmente por te amar
Amar não estava nos planos
Não buscava o amor

Mas este me encontrou
E temo mais que tudo
Que esse seja meu erro fatal







terça-feira, 23 de junho de 2009

O outro mundo

Abro os olhos.
Estou em um mundo novo.
Estou mergulhando.
Me sinto mais leve, porém muito maior do que tudo o que vejo.
Criatura estranhas se exibem para mim de forma tão delicada, tento imitá-las mas só consigo afugentá-las. Quando foi que me tornei tão assustadora?
É muito silencioso aqui. Só ouço minha respiração. Forte. Fraca. Forte. Fraca. E assim sucessivamente.
Deixo o mar ir me guiando para o desconhecido.
A curiosidade é maior do que a cautela. Vou entrando mais a fundo neste mundo tão diferente do meu.
As cores são cada vez mais nítidas e brilhantes a curiosidade quase me sufoca.
De repente, ao atravessar um grande rochedo, me encontro com o total desconhecido: um mundo laranja no meio da imensidão azul.
Até hoje não sei o que era aquilo, mas perdi meu ar naquele momento.

Como é estranho que no mesmo planeta hajam paisagens tão diversas e mundos tão distintos...
Hoje, infelizmente, estou no mar, e você, em alguma parte do mundo que não posso mais ver.

A última vez

Sentada a frente do computador se preocupando com coisas banais, jogos banais e pessoas ainda mais banais.
Fazia aquilo só para se esquecer (ou ao menos tentar) que a pessoa que ela amara por tanto tempo estava indo embora, e ia embora chateado com ela.
Fizera o máximo que conseguia fazer por qualquer pessoa: pedira perdão. Mas não sabia se o seu pedido havia sido aceito ou não, era orgulhosa demais para se redimir diante de alguém, por isso achou que uma mensagem de texto bastaria, mensagem essa que jamais fora respondida.
Com certeza ele estava chateado, sem razão claro, ela nunca tivera razões para machucá-lo. Seriam o casal perfeito se fossem um casal um dia. Mas por quê ela fizera aquela maldita brincadeira?
Mas isso fazia dias, e nem sinal dele, e ela, sentada a frente do computador, pedia em silêncio que alguém a tirasse daquela vida.
Eis que recebe uma mensagem no celular. Era dele, pedindo para que ela descesse pois queria vê-la em seu último dia antes de partir. Ela pulou da cadeira e saiu correndo para se aprontar.
Arrumou os cabelos, vestiu roupas novas, se maquiou como quem vai para uma festa. estava linda por fora, mas caindo aos pedaços por dentro. Sabia que aquela seria a última vez que o veria.
A última vez. Aquela frase ecoava sua cabeça o tempo inteiro. Mesmo assim, criou coragem e foi.
Ele, como sempre, estava rodeado de amigos. Mas algo estava diferente, não, não era seu novo corte de cabelo, era seu olhar. Ele não a mais com raiva, mas com ternura. Um olhar escondido, pois ele também era orgulhoso demais para deixar alguém notar seus reais sentimentos.
Ele deu-lhe um abraço de leve demonstrando que estava que tudo estava bem. Passado era passado e não valia mais a pena brigar. Ela ficou aliviada, não teria o homem que amava mas ao menos ele não a odiava.
Fizeram a ultima brincadeira juntos, como criança, ela saiu correndo atrás dele. Correu, e enquanto corria lembrou-se de como era bom estar com ele, sorrir com ele, conversar, brigar só para depois poder fazer as pazes. Percebeu que aquela era a última vez que faria tudo aquilo, que ele, agora viraria um homem , e ela, continuaria a ser a garotinha do papai que sempre fora.
Ele se cansou de correr. Ela, como sempre, o deixou ganhar a corrida mesmo tendo fôlego para continuar. Não se divertiram muito entre os amigos aquele dia, havia um clima de tristeza no ar. Inutilmente, ele tentava animar a todos.
Estava na hora de ir embora. Ela cumprimentou todos, deixando-o por último.
Ela fechou os olhos e o abraçou com todas as forças que tinha ele correspondeu. Nunca houvera tanta cumplicidade, honestidade, e amor como naquele abraço. E naquele momento, ela sentiu o beijo nunca dado, a frase nunca pronunciada, o corpo nunca tocado. Fraquejou e disse: " Vou sentir sua falta", ele, sofrendo porém sorrindo, respondeu: "Duvido". Sorriram e voltaram a se abraçar.
Daqui para frente nada mais seria igual. Mas agora ela se sentia forte o suficiente para enfrentar o que der e vier.
Naquela noite, típica de verão, fez frio, ventou e choveu. A garota não derramou uma só lágrima pela perda de seu amado, mas quem se lembra daquela noite, pode jurar que as gotas da chuva eram grossas, amargas e queimavam a pele. Assim como o que aquela pobre garota sentia por dentro por ter visto seu amado pela última vez.