terça-feira, 23 de junho de 2009

A última vez

Sentada a frente do computador se preocupando com coisas banais, jogos banais e pessoas ainda mais banais.
Fazia aquilo só para se esquecer (ou ao menos tentar) que a pessoa que ela amara por tanto tempo estava indo embora, e ia embora chateado com ela.
Fizera o máximo que conseguia fazer por qualquer pessoa: pedira perdão. Mas não sabia se o seu pedido havia sido aceito ou não, era orgulhosa demais para se redimir diante de alguém, por isso achou que uma mensagem de texto bastaria, mensagem essa que jamais fora respondida.
Com certeza ele estava chateado, sem razão claro, ela nunca tivera razões para machucá-lo. Seriam o casal perfeito se fossem um casal um dia. Mas por quê ela fizera aquela maldita brincadeira?
Mas isso fazia dias, e nem sinal dele, e ela, sentada a frente do computador, pedia em silêncio que alguém a tirasse daquela vida.
Eis que recebe uma mensagem no celular. Era dele, pedindo para que ela descesse pois queria vê-la em seu último dia antes de partir. Ela pulou da cadeira e saiu correndo para se aprontar.
Arrumou os cabelos, vestiu roupas novas, se maquiou como quem vai para uma festa. estava linda por fora, mas caindo aos pedaços por dentro. Sabia que aquela seria a última vez que o veria.
A última vez. Aquela frase ecoava sua cabeça o tempo inteiro. Mesmo assim, criou coragem e foi.
Ele, como sempre, estava rodeado de amigos. Mas algo estava diferente, não, não era seu novo corte de cabelo, era seu olhar. Ele não a mais com raiva, mas com ternura. Um olhar escondido, pois ele também era orgulhoso demais para deixar alguém notar seus reais sentimentos.
Ele deu-lhe um abraço de leve demonstrando que estava que tudo estava bem. Passado era passado e não valia mais a pena brigar. Ela ficou aliviada, não teria o homem que amava mas ao menos ele não a odiava.
Fizeram a ultima brincadeira juntos, como criança, ela saiu correndo atrás dele. Correu, e enquanto corria lembrou-se de como era bom estar com ele, sorrir com ele, conversar, brigar só para depois poder fazer as pazes. Percebeu que aquela era a última vez que faria tudo aquilo, que ele, agora viraria um homem , e ela, continuaria a ser a garotinha do papai que sempre fora.
Ele se cansou de correr. Ela, como sempre, o deixou ganhar a corrida mesmo tendo fôlego para continuar. Não se divertiram muito entre os amigos aquele dia, havia um clima de tristeza no ar. Inutilmente, ele tentava animar a todos.
Estava na hora de ir embora. Ela cumprimentou todos, deixando-o por último.
Ela fechou os olhos e o abraçou com todas as forças que tinha ele correspondeu. Nunca houvera tanta cumplicidade, honestidade, e amor como naquele abraço. E naquele momento, ela sentiu o beijo nunca dado, a frase nunca pronunciada, o corpo nunca tocado. Fraquejou e disse: " Vou sentir sua falta", ele, sofrendo porém sorrindo, respondeu: "Duvido". Sorriram e voltaram a se abraçar.
Daqui para frente nada mais seria igual. Mas agora ela se sentia forte o suficiente para enfrentar o que der e vier.
Naquela noite, típica de verão, fez frio, ventou e choveu. A garota não derramou uma só lágrima pela perda de seu amado, mas quem se lembra daquela noite, pode jurar que as gotas da chuva eram grossas, amargas e queimavam a pele. Assim como o que aquela pobre garota sentia por dentro por ter visto seu amado pela última vez.

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